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08 setembro 2016

Para ti Cassiana


Para ti Cassiana.
Trouxeram-te até mim, eras ainda bebé. Tinhas sido tirada da boca de um cão. Estavas muito ferida e magoada. Foi a primeira vez que criei e tratei um pombo. Desculpa os erros que cometi contigo. Não te acarinhei como merecias, deixando-te sozinha numa caixa de cartão durante a tua infância. Talvez por isso te tornaste tão rabugenta, e eu não te compreendi. Adorava ver-te zangada e provocava-te a toda a hora. Desculpa afinal sou humana... e ainda estou a aprender a ser melhor, com seres como tu. Percebi que te tinhas tornado adulta, quando o teu piar de bebé deixou de se ouvir e começaste a arrulhar. Foi então que vi, que devias ser um rapaz e não uma menina, mas continuaste a ser a Cassiana a minha Cassiana. Passei a fazer grandes passeios contigo na esperança de te ver voar, e seres um pombo como tantos outros.


 Infelizmente tal não aconteceu. Nunca usastes as asas para voar, e sim para mostrares que eras dona e senhora do espaço que consideravas teu e só teu batendo-as com toda a força no chão.Sempre coxeaste de uma pata, e que graça tinhas quando davas os teus passeios comigo e com os teus irmãos cães. Lembro-me que tinha a sensação que eles se riam de ti quando ficavas para traz, excepto a velha Sandula, (que creio estar contigo agora), que sempre esperou por ti.


O tempo passou: meses anos e todos os dias me surpreendias. Passaste a ser a líder cá de casa. Cães e gatos todos te respeitavam e admiravam. Quando alguem desconhecido entrava, tu atacavas, guardando o espaço que era nosso. Sete anos, foi o tempo que estiveste comigo. Talvez mais sete anos ficarias, se não tivesses sido assassinada por alguem que odeia pombos. Pior ainda, foste assassinada a dois metros de mim, num parque de estacionamento. Nunca pensei que depois do nosso passeio no parque do costume, ao dirigirmo-nos para o banco do jardim, e ao atravessar a estrada que tantas vezes atravessamos alguem te fizesse mal. Como sempre eras sempre a ultima da fila. Os teus amigos cães já estavam a relaxar à sombra da árvore onde tantas vezes também relaxaste com as tuas asas esticadas.Estavas a dois metros de mim e eu à tua espera quando uma assassina, resolveu acelerar o carro, sair da faixa de rodagem e atropelar-te. Não queria acreditar que tal fosse possível. Tu sabes que jamais iria pôr a tua vida em perigo que tão preciosa era para mim . Corri para ti, na esperança que estivesses viva, e sim estavas viva quando peguei em ti, mas partiste assim que peguei em ti. Não quiseste partir, sem uma vez mais sentires o calor das minhas mãos, mãos essas que tantas vezes tu bicaste quando eu te queria acarinhar. Incrédula gritei bem alto: ASSASSINA, mas depois, logo fui insultada de tudo, por te ter, por te amar. e por fazeres parte da minha família. Os teus amigos cães, também ficaram tristes, lamberam-te e juntos e a chorar fizemos o teu funeral. Naquele momento, senti ter chegado a hora de usares as tuas asas. Imaginei que pairaste sobre nós, poisaste no meu ombro e depois partiste, livre e feliz. Quero acreditar que habitas um lugar onde apenas existem boas energias, que estás com os teus irmãos cães e gatos,que partiram antes e depois de ti. Usas as tuas asas e tens muitos amigos como tu. Acredito também que um dia estarei contigo e com todos os outros, que durante a sua passagem por aqui, tanto me deram. Até um dia minha querida pombinha. O teu lugar que com tanto brio tu guardavas está vazio. A tua fotografia está à entrada da nossa casa, para quem entrar ficar a saber que aqui viveu uma pomba: a pomba Cassiana. Até um dia querida amiga.











23 abril 2016





Há sete anos, vítima de maus tratos chegou até mim. Teria 14 anos. Por ter sido tão maltratado, tinha medo que lhe tocássemos, ficando muito tenso e rígido. Desde que não estivesses a dormir, e embora cego e surdo, mostrava gratidão a todo o momento, arfando, abanado a cauda e enroscando-se nas nossas pernas.
Há algum tempo que se queixava, com dores. Ia ao veterinário e fazia tratamento paliativo. Nos últimos dois dias, as injecções que tomava deixaram de surtir efeito. Tive então que tomar a difícil decisão: eutanasiar o meu querido cão.
Ao contrario do habitual, esta manhã, embora com dores, o meu querido Fidel, pela primeira vez, desde que está comigo, mostrou-se receptivo e relaxado entregando-se completamente aos meus afagos e da Neuza Resende.
Como todos os outros, morreu serenamente nos meus braços. Descansa em paz meu querido amigo.
A vida do Fidel, contada na primeira pessoa em:
http://ossodecao.blogspot.pt/2010/12/fidel.html

30 janeiro 2016

Para ti querida pombinha.

Para ti querida amiga


Encontrei-te num saco de plástico pendurado à minha porta. Alguém te encontrou, teve pena de ti, mas não quis ficar contigo.
Talvez por seres tão estranha.
Parecias um urubu.Tinhas algumas penas no pescoço e outras quantas na cauda. Tinhas fome, fiz-te uma papa com restos de pão. Comeste desalmadamente. Fui então comprar algumas sementes, triturei-as transformando-as em pó para fazer uma papa. Comeste com um apetite devorador.

Dei-te um nome. Chamavas-te Huila

Passaram-se alguns dias, e começaram a nascer-te as penas, 
Aos poucos foste crescendo e ganhando mais penas. Transformaste-te então numa bela pomba, não te diferenciando da maioria dos pombos que habitam a zona.

Nunca te quis aprisionar, pois tinhas asas e tinhas que as usar. Como entravas em pânico sempre que me afastava de ti, usei este meio para te obrigar a voar. Ao afastar-me, esforçavas-te para vires rapidamente ao meu encontro, foi assim que percebeste que voando chegavas mais depressa. E então aprendeste a voar.

Quando passaste a alimentares-te sozinha e percebendo que não corrias perigo, procurei um lugar onde pudesses conviver com os da tua espécie.

Foi aí que que encontraste grandes amigos e talvez um companheiro/a para a vida. Como, todos os da tua espécie, deixaste a tua casa e tornaste-te independente, não deixando no entanto de visitares quem te criou, fosse para comer ou para dizer olá. Com satisfação percebi o quanto eras feliz. Muitas vezes chamava-te mas não querias entrar. Do alto e sempre acompanhada apenas dizias: olá. estou bem e feliz. Quando tinhas fome, entravas, algumas vezes sem eu dar conta. Enchias o papo e voltavas feliz para junto dos teus amigos e amigas.

Passaram-se os meses e a cena repetia-se diariamente. Quantas vezes estando eu fora, corria para casa, não fosses tu apareceres e eu não estar presente para te alimentar.

Até que um dia, estranhamente não usaste as asas para vires ter comigo. Encontrei-te em plena rua. Andando, vieste até mim e subiste para o meu pé. Peguei em ti e percebi que estavas doente. Como infelizmente tenho visto muitos casos como o teu, percebi que tinhas sido envenenada. Tal confirmou-se, pois mais tarde, vi os corpos inertes, de dois dos teus companheiros

Dei-te carvão vegetal na esperança de te salvar, mas o veneno foi forte e não consegui. Deixaste-me, em grande sofrimento. Foste entre muitas, mais uma vítima da crueldade humana. Durante horas, impotente, assisti incrédula à tua aflição: tinhas convulsões e contorcias-te com dores.

Perdoa, minha pequenina por não conseguir salvar-te, perdoa por não conseguir terminar com tão grande agonia.
Por fim partiste.

Tu não merecias, os teus amigos não mereciam. Recordar-te-ei sempre querida amiga.

Quisera minha pombinha, ver-te voar, ver-te feliz, sentir a tua presença no telhado da minha casa, sentir-te sem te ver chegar.

Acredito, que juntamente com os teus amigos habitas agora num lugar onde existe paz, harmonia, voas livremente, e és feliz.

Adeus querida amiga.


Sei que muitos humanos rir-se-ão deste texto. Afinal na opinião de muitos, fazes parte de um grupo de animais que é considerado uma grande praga. Esta crueldade é imoral e demonstra a grande ignorância e estupidez de um povo.

“A bem da saúde publica”, os telhados devem estar pejados de pombos mortos.  O “grande herói” que praticou este acto de crueldade, devia subir aos telhados e recolher os corpos destas pobres aves, para evitar a propagação de doenças, não causada pelos pombos, mas por quem cometeu tão hediondo crime.






09 dezembro 2015

Para ti querido amigo





Vou sentir a tua falta: quando me mordias, vou sentir a tua falta quando mordias quem se atrevesse a provocar-te ou simplesmente tocar-te, vou sentir a tua falta, quando não paravas de tossir, vou sentir a tua falta quando mijavas a marcar o território, pois tudo te pertencia, vou sentir a tua falta quando mordias o pobre Fidel, que por ser cego ia contra ti e tu não perdoavas, vou sentir a tua falta quando insistias em montar a pobre e velha Sandula aproveitando a sua fragilidade, vou sentir a tua falta quando carregava contigo ao colo, vou sentir a tua falta quando sentia o teu hálito horrível, EM FIM VOU SENTIR A FALTA DE UM DOS MELHORES AMIGOS QUE JÁ TIVE. Fica em paz rabugento e por favor, não chateis a Sandula a Mizé a Huila, o Shissue, a Marquinhas, o Chiquito, o Roni, a Aninhas, o Saci I, a Cassiana e o pobre do Nibiru. FICA EM PAZ MEU QUERIDO

O teu dono recorda-te assim: http://ossodecao.blogspot.pt/2016/01/uma-carta-para-o-meu-caozinho-que.html

Para ti Nick


Uma carta para o meu cãozinho que partiu


Olá Nick. Nunca aprendeste a ler. Para piorar, nasceste surdo. Mas de alguma forma, divina e misteriosa, tenho esperanças que hoje, dois dias depois de teres partido, recebas esta pequena mensagem.
Estavas muito doentinho. Sofrias e recuperavas, num pequeno ciclo indesejável: Por mais que sofresses, sempre voltavas a ficar energético e feliz. Até que chegou o dia em que não voltaste a ficar bem. Tivemos que te levar ao doutor e te deixar dormir. Foi a viagem de carro mais dolorosa que já fiz.
Adormeceste no meu braço, com a língua de fora como sempre ficavas.
Te beijei na cara e no focinho, e senti um cheiro que vinha dos teus pêlos igual ao cheiro que tinhas quando eras bebé e te vi pela primeira vez, há 14 anos atrás. Sei que soa estranho, e que talvez pareça que seja a minha mente a pregar partidas, mas é a realidade. Sentir esse cheiro vindo de ti me teleportou a quando estava no carro, contigo em cima de mim, no meu colo, a me olhar de uma forma estranha porque não me reconhecias. Do teu lado estava a tua irmã, Lenita, no colo do meu primo. Estava feliz porque estava levando comigo um novo amigo para me acompanhar.
Lembro-me do teu pai ter a tua cor, branco e com manchas, mas maior e gordinho. E a tua mãe, castanha, da cor da tua irmã, triste por estarmos a levar os filhos dela. Espero que os encontres agora, se existir um após-vida, e que eles nos tenham perdoado por termos levado os seus filhotes.
Quando chegamos, fomos à casa dos meus avós, e o meu avô ficou a olhar para ti e te chamou de feio. Tinhas os olhos muito grandes, e tortos, estrábico; e a tua cauda era igual à de um porquinho, enrolada como uma mola. Esses teus dois traços desapareceram com o tempo, os teus olhos mantiveram-se lindos e grandes, mas endireitaram-se, e a tua cauda ficou recta.
Se houve um dia mais especial que esse, foi o dia que te levamos ao veterinário pela primeira vez. Fomos fazer um check-up e saber mais sobre a pequena hérnia que tinhas no umbigo. E comprámos a tua primeira trela e a tua primeira coleira, as duas vermelhas porque a minha mãe se convenceu que eras do Benfica. E agora, sempre que alguém lhe perguntava qual o clube que ela apoiava, ela respondia:
“Eu e toda a família somos do Benfica, até o cão”.



Depressa aprendeste o significado da trela. Sempre que eu pegava nela, que ficava pendurada junto à despensa da cozinha, abanavas a cauda e ficavas com o pescoço junto da minha perna, já sabias que era para ir à rua ver os teus amigos. E durante os passeios que tinha contigo, sempre na mesma rua e sempre nos mesmos lugares, arranjavas prazer no Inverno, quando o vento vinha com força. Ficavas parado, só parado, no meio do nada, a sentir o vento a bater com força no teu pequeno focinho.


E fiz desse teu pequeno prazer uma brincadeira: adorava soprar para o teu focinho enquanto lambias o ar para apanhar o fresco.
Essa tua pequena hérnia no umbigo, apesar de engraçada no inicio, começou a crescer e a se tornar uma ameaça. Lembro-me um dia, que a minha mãe te levou para a escola onde ela trabalhava e eu estudava. Lembro-me que estava a ir para a aula e ouvi um ganir intenso, fui a correr procurar por ti, estavas na salinha dos funcionários, e tua hérnia estava cinza e inchada. Tivemos que te submeter a uma operação para a retirar.


A operação durou uma eternidade, mas correu bem. Quando chegaste tinhas a típica coleira que parece um prato, para não lamberes os pontos. Recuperaste rápido.
Passava horas a brincar contigo. Ladravas muito alto e me mordias com força, era uma pequena guerra inocente entre uma criança e um cão. Lembro-me que a regra do jogo era eu ficar quieto, na cama. Se me mexesse me atacavas. Eras assim, brincalhão. Eu e a minha prima Jessica fizemos vários vídeos a brincar contigo.




Mas melhor ainda que tu a latir feito doido para o vídeo, eram as poses que fazias para a camera fotográfica. Como eu desejava que falasses, mais uma vez eu e a minha prima fizemos um vídeo teu, desta vez contigo a ser entrevistado para um noticiário nacional.




Na rua, entre os meus amigos, eras temido porque mordias. Por seres surdo tinhas uma percepção desconfiada do mundo e, para ti, quase tudo era hostil. A minha mãe dizia que isso começou quando um dia, um menino estava a te acarinhar e de repente te deu um pontapé. Triste.
Era divertido fugir de ti e te ver a correr e a ladrar para me apanhar. Fazíamos mil e uma brincadeiras diferentes. Lembro-me uma vez de estar no pavilhão da escola, durante as férias porque a mãe trabalhava lá, tudo vazio. E de te empurrar pelo chão escorregadio. Escorregavas pelo fundo do corredor e voltavas a correr para mim para te empurrar e te fazer escorregar de novo. E depois me mordias, com carinho.


Escondido debaixo das cadeiras da cozinha, o teu lugar favorito enquanto a minha mãe cozinhava para ti.

Apesar de tantas brincadeiras, nunca gostaste de brinquedos. Comprei-te umas bolas pequeninas, e fugias delas. Comprei-te uma galinha de plástico que fazia um som quando era apertada, e odiaste. Brinquedos eram inúteis para ti, mas snacks & guloseimas já não.
Gostavas de umas tiras fininhas que se comprava no mercadinho do Dia, e de uns rolinhos com uma parte mais escura dentro. Mas quando te dava o snack, ias embora com ele antes de o comer para garantir que ninguém to tirava. Eras sempre desconfiado, de outros cães e de humanos.
E aproveitando a tua desconfiança, eu e a minha mãe gostávamos de te provocar. Às vezes íamos atrás de ti e começávamos a te tocar na perna, ligeiramente, até ficares irritado. Não conseguias escapar, porque se te virasses para mim, a minha mãe te apertava, se te virasses para ela, eu te apertava. Ficavas muito irritado mas depois te abraçávamos e ficavas feliz porque sabias que era só provocação.
Na praia é que corrias imenso atrás de mim. Mas nunca percebi se gostavas de praia ou não. Sei que odiavas a água, sempre ficavas para trás quando a minha tia Tata atirava pedras e todos os cães iam para a água tentar apanhar. Só tu ficavas de fora, na beira, a olhar, sozinho, esperando que todos voltassem.
Só tu ficavas de fora, na beira, a olhar, sozinho, esperando que todos voltassem.


Tu, a levar com o vento na cara como sempre, eu, a Sandula, a Mizé e a Huila.

Enquanto aqui estiveste, viveste comigo, com a minha mãe, o meu pai, a minha tia, os meus avós e os teus amigos da mesma espécie. Enquanto aqui estiveste, muitos dos teus amigos partiram: o Chico, a Huila, a Sandula, a Mizé, a Marquinhas & o Malaquias, o Shissue, a Cassiana, e a tua irmã, Lenita.
O ciclo da vida é tramado. Tão tramado quanto a tua desobediência perante o jornal. Aprendeste a fazer xixi nele, mas tudo o resto fazias no chão. Mas mais engraçado que isso, é que tu aprendeste linguagem gestual. Não me lembro de como te ensinei, mas sabias que os meus dedos a fecharem era sinal para vires ter comigo, assim como o meu pé a bater no chão. E sabias que o dedo indicador a apontar para o ar era sinal que te portaste mal. E o dedo a apontar para ti era para ficares quieto. Quando era criança achava tão estranho gritar perto de ti e continuares a dormir como se nada fosse. Ainda hoje há quem na família ache que tu não eras surdo, mas apenas fingias não ouvir ninguém. Também é provável, porque somos todos chatos.
Seres surdo era engraçado, mas também muito preocupante. Estávamos sempre de olho em ti, com medo que te perdesses, porque era impossível chamar por ti. Na verdade, essa foi uma das últimas partidas que nos pregaste: estavas com a minha tia e sumiste. E lá estavas tu, debaixo da cadeira do café que ficava na rua de baixo. O que foste lá fazer?
Também lembro-me de te ensinar a subir e a descer as escadas quando eras pequenino. No meu prédio e no prédio da minha avó. Depressa aprendeste, e também aprendeste um gesto que significava que devias subir ou descer sozinho. Quando a minha mãe chegava e te ia buscar à casa dos meus avós, descias as escadas sozinho, e também subias quando era preciso. Para certas coisas eras super obediente, para outras desobediente. Tinhas manias.
Quando era pequenino e ainda dormia com os meus pais, tu entravas pelos lençóis e ficavas entre os nossos pés. Também gostavas de dormir nas almofadas. Odiavas que te segurasse para dormir comigo, mas não te importavas se me sentasse contigo no chão e te fizesse festas na barriga.
Quando sai de casa senti a tua falta. Nesse momento, tomaste uma posição ainda mais importante na vida da minha mãe. Tive a chance de capturar todo o ambiente que vocês os dois viviam em uma só fotografia: tu e a minha mãe juntos, sonolentos, luz fraca, terço pendurado, as fotografias emolduradas, as pantufas no chão… a típica noite, tranquila, de vocês os dois.

a típica noite, tranquila, de vocês os dois.

Foste piorando aos poucos, muito devagarinho, e de repente a doença se apoderou exponencialmente de ti. Este eras tu há exatamente dois meses, no dia 7 de Setembro.

Este eras tu, duas semanas atrás. Doentinho, depois de te termos levado ao veterinário para tomares umas injeções (desculpa).

E este eras tu no dia que te foste embora. A última fotografia que existe de ti.

A viagem de carro entre a nossa loja e o veterinário foi, como disse, a pior viagem que já fiz. Mas ao contrário de mim, estavas sereno e calmo, no colo da tua dona, e eu do teu lado te admirava.



Todos estes detalhes que conheço de ti são algo que só se sabe de alguém com muita intimidade. É preciso construir uma relação com uma base sólida de amor para se chegar a conhecer alguém assim. Sinto a tua falta.

Queria que estivesses aqui para sempre. E de certa forma vais estar.
Obrigado por tudo. Foste muito importante e mágico. Tornaste a nossa vida melhor. Espero que tenhamos tornado a tua melhor também.
Do teu amigo que te ama,
Luís.



08 outubro 2013

Homenagem aos que partiram

 

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Pretendo, nesta página, prestar homenagem à minha querida família de quatro patas, que: uns por motivo de doença, outros por velhice, outros por acidente, já não se encontram entre nós. Foram eles: o Saci que já faleceu há 20 anos com idade muito avançada, cerca de 19 anos. O Roni que foi propositadamente atropelado, por alguém que odeia cães. Tinha apenas 8 anos. O meu querido gato Chiquito por doença prolongada. A Mizé, a linda flor do meu jardim, com 5 aninhos apenas, também atropelada. A Huila com um tumor e finalmente o Shissue, com apenas 1 ano de idade e demasiado perfeito, caiu de do quarto andar.
1
Saci I
1A
Roni
 
98

 

 Chiquito
188
Mizé 
 
89 Huila
       

Shissuê

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                                                                                                Marquinhas
 
 

Depois deles e pelos mesmo motivos – abandono - outros foram adoptados, mas o lugar deles permanece vazio.

Por eles:

Quero acreditar que neste momento, vivem numa dimensão diferente, onde prevalecem as leis de Deus e que têm uma vida plena, onde todos os seres vivos são respeitados e amados que vivem em paz, que são livres, correm, brincam e saltam.

Quero acreditar, que apenas os seus corpinhos morreram, mas o espírito, que acredito possuirem, esse viverá para sempre e que na dimensão onde se encontram, ansiosa e calmamente esperam por mim, para todos juntos vivermos finalmente livres, em paz e felizes. Sem a crueldade a que alguns deles foram submetidos, na sua curta existência no planeta terra

.

Quero acreditar que onde se encontram velam por mim e que as flores que crescem nas suas sepulturas, são uma mensagem dos meus queridos e queridas meninas, como a dizerem: nós esperamos por ti.

Aqui, onde ainda estou, vivem e viverão sempre no meu coração.

Referindo uma citação de uma grande amiga:

Quando nós morrermos, vamos para o céu que é infinito, mas eu logo saberei onde está a Paula: numa nuvem bem branquinha, mas cheia de pelo com todos os seus animais.

Tal como na terra, para além dos amigos e familiares, quero ter toda a minha família 4 patas sempre a meu lado.

****************************

«Se houver, como dizem que há, um Céu dos Cães,

é lá que quero ter assento,

a ver a luz a minguar no horizonte,

com a sua palidez de crepúsculo num retrato da infância.

Hei-de então bater à porta e pedir para entrar, e sei que eles virão,

contentes e leves, receber-me como se o tempo tivesse ficado

quieto nos relógios e houvesse apenas lugar para a ternura,

carícia lenta a afagar o pêlo molhado pela chuva.

Então poderemos voltar a falar de felicidade e de mim não me

importarei que digam:teve vida de cão,  por amor aos cães. »

José Jorge Letria

 

Mais exemplos clique nos links:

 

Memorial                               Uriel In Memoriam

11 janeiro 2012

Marquinhas–exemplo de resignação e paciência na doença.

 

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Apesar da idade avançada, 17 anos a Marquinhas, nunca teve problema de saúde. Apenas durante um período entre os 15 e 16 anos que vomitava com frequência. Mudei a ração e tudo passou.

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Quando tudo parecia estar bem,  ao escovar-lhe o pelo, notei um inchaço anormal, no dorso. Corri para o veterinário e aí foi-lhe diagnosticado um carcinoma.

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Devido à idade avançada, optei pelo tratamento paliativo em vez de operação e assim minorar o sofrimento da Marquinhas pois não havia  perspectivas de
cura.

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Quanto mais o carcinoma crescia, mais a Marquinhas comia e mais peso  perdia. Por causa do tratamento, tinha um apetite devorador. Oferecia-lhe então, todos os petiscos existentes no mercado, mas nos últimos dias de vida, o que mais a Marquinhas apreciava, era o patê de frango caseiro, com cenoura e arroz. Também não recusava salmão cozido. 

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Todas as semanas me deslocava ao veterinário com a minha Marquinhas, para tratamento. Tudo aceitava sem nunca reclamar.

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Para não ser incomodada pelos seus companheiros, Cuilo e Shalom, permanecia muito tempo na grade, onde nunca lhe faltou o saco de água quente. 

Nas ultimas semanas de vida, quando saia para fazer as sua necessidades no WC, muitas vezes não chegava a tempo, por se encontrar muito fraca e com pouca agilidade. Periodicamente tinha então que a incomodar e levá-la á caixa com areia sempre limpa, (especialmente para ela) onde então se aliviava. Quando terminava, com a sua voz meiga, dizia-me que já estava despachada.

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Tudo aceitou, com paciência e resignação. Nunca se mostrou saturada. Por vezes até tinha a sensação que me dizia: não te preocupes, eu estou bem. Mas não estava bem!… Devia ter dores, embora não se queixasse. Nos últimos dias, começaram a aparecer mais feridas no seu magro corpinho e até na ponta do nariz.

Por fim a dura decisão: eutanasiar a minha menina e assim acabar com tanto sofrimento.

Assim ela se foi. Iria fazer 18 anitos em Fevereiro. Para mim, foi uma luz que deixou de brilhar neste planeta. É agora mais uma das muitas estrelas a brilhar no céu, juntamente com todos os meus animais que partiram antes dela. Acredito que são felizes e  alegremente esperam por mim.

Numa nuvem bem macia, está agora com o seu amado irmão Chiquito e com todos os outros que partiram antes dela.

Expresso aqui, a minha gratidão, ao Dr. Rui Neves e Dra. Inês, pelo profissionalismo e carinho com que sempre trataram a minha menina.

14 dezembro 2011

Huila


                                      Huila a minha doce gordinha

89Huila a minha doce menina 
Huila a minha gordinha, chata, mal humorada para com as irmãs Sandula e Mizé, mas uma ternura para a seus donos e todos os amigos que não tivessem 4 patas. Tal como a Mizé, os donos também não a quiseram, alegando que era uma chorona e não ficava sozinha em casa sem desatar aos berros. Claro, ela era apenas um bebe que prematuramente fora retirada à mãe e como qualquer criança, necessitava de atenção. Ao olhar para os olhos desta criaturinha prontamente nos comprometemos, adoptando esta menina.
HUILA BEBE
Logo no primeiro dia, mostrou bem o seu temperamento. A todo o momento pedia atenção e quando não a tinha desatava a chorar de tal forma que era impossível ficar indiferente aos seus gemidos, latidos uivos e todo o tipo de choradeira.
Por ter sido retirada da mãe ainda muito pequenina, além de chamar a atenção dos donos a todo o momento, desde sempre a Huila teve um apetite devorador. Não importava o quê: desde as batatas às cascas, da cebola (nada bom para cães) ao alho qualquer tipo de hortaliça, não havia nada que a minha gordinha não gostasse e não devorasse com verdadeiro apetite. E quando não comia era um verdadeiro martírio, pois não se calava. Consequência: obesidade.
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Quando estava perante o petisco, esquecia tudo e todos. A sua atenção prendia-se apenas naquilo que poderia comer e ansiosamente desejava que lhe dessem algum pedaço. Só em momentos como este, ignorava a sua querida amiga Neusa.

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A Neusa sempre foi a grande amiga da Huila. Sentia a sua presença,  mesmo a grande distancia e chorava tanto por ela, como quando queria comer.
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A minha querida gordinha gostava de se vestir, e adorava tirar fotografias. Era feliz e embora sempre muito chatinha, ela fazia-nos felizes.
Mas nem tudo na vida das pessoas e animais , são rosas.  A Huila, perdeu um dos donos que tanto amava.  Durante semanas, ela, que sempre teve um apetite devorador, quase não comia. Passava o dia e a noite na sua caminha alheia a tudo e todos. Sem dissimular o sofrimento, por vezes emitia uivos de tristeza. Quando insistia com ela apenas tapava o focinho com a pata como que a dizer: deixa-me.
Três meses após o infeliz acontecimento fiz este vídeo.



Em todas as idas ao cemitério e embora ficasse no carro, sem que eu saiba como, a Huila sabia que os restos mortais do seu dono se encontravam naquele lugar. Com profunda mágoa, expressava os seus sentimentos através de um choro incessante, manifestando assim a sua dor .
Os anos foram passando e aos poucos, assim como eu, a minha querida gordinha foi recuperando, mas nunca esqueceu o seu amado dono.

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Apesar da sua rabugice para com os quatro patas, adorava praia e campo e nestes momentos brincava com as irmãs Sandula e Mizé.
Na praia, não tinha medo das ondas e uma vez teve que ser salva por um surfista, pois confundiu a sua dona com outra pessoa e aventurou-se mar a dentro.

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As minhas meninas Huila e Sandula, na praia com a sua avó
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Depois de um belo banho, a minha Huila dormia o sono dos anjos, sem se mexer.
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Adorava que conversassem com ela. Jamais esquecerei os seus ternos olhinhos quando lhe prestavam a atenção que ela pedia. Naqueles olhos podíamos ver o amor o respeitos o carinho e ternura que tinha por todos, mesmo quando a amiga Eliane lhe chamava de Bafão por causa do hálito. Era linda a minha gordinha.

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228Eliane, Sandula Mizé e Huila

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Infelizmente, a minha menina adoeceu. Começou por se mostrar muito cansada e com muita sede. Depois de uma ida ao veterinário, foi-lhe diagnosticado diabetes. Inicialmente procuramos combater a enfermidade com alimentação adequada, mas com a minha gordinha, era quase impossível. Chorava mais do que nunca e as súplicas eram de tal ordem que eu cedi aos seus desejos e desisti da ração para diabéticos O veterinário conhecendo o temperamento da minha gordinha, decidiu administrar-lhe insulina.
A minha querida menina sujeitou-se a todo o tipo de picadelas, tanto para lhe extrair o sangue da orelha, como ao administrar todos os dias uma injeção de insulina E assim a minha querida gorda se foi aguentando dia após dia semana após semana e mês após mês.

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Numa das idas rotineiras ao veterinário, reparei que a minha gordinha andava com dificuldade. Foi quando ao pegar nela para a colocar na marquesa que notei um grande caroço, na base do braço Ao olhar para a cara do veterinário, logo me apercebi que a situação era grave.
Meses antes, numa das idas à praia um pico entrou por baixo do braço, e só reparei quando a Huila se queixou .Foi ao veterinário e o mesmo verificou que para além do que estava à vista, havia outro que percorreu o caminho do braço às costas e foi-lhe retirado. Penso que todo o mal veio deste incidente.
Temendo o pior, foi medicada com anti-inflamatórios e antibióticos, na esperança de melhoras.

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Durante uma semana sem reclamar e na posição em que se encontra nesta foto, duas vezes por dia fazia-lhe compressas de água quente para que todo o pus saísse e realmente saía bastante, mas não o suficiente. A infecção espalhou-se pelos pulmões.
Dois dias depois, ao notar a dificuldade que tinha em respirar, corri para o veterinário. O olhar do médico, foi esclarecedor: a minha menina estava condenada. Tinha apenas 9 anos.
Preparei-me então para o pior. Fiquei a saber que apenas restavam alguns dias à minha menina e que seriam dolorosos. Foi então que me fui habituando à ideia de perder mais um membro da família. Dei-lhe tudo quanto me pedia pois apetite nunca lhe faltou, muito embora logo a seguir, vomitava.
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Coloquei um colchão no chão para dormir com ela, e foi numa dessas noites, de dor e sofrimento, que agarrada à minha Huila,  desesperada desatei a chorar. Como que entendendo o meus sentimentos, a minha Huila, com muita dificuldade lambeu-me a cara, deu um uivo, como que a dizer não chores. Foi uma noite horrorosa. A Huila queria beber água a todo o momentos, para logo a seguir, se arrastar e procurar um sítio para vomitar fora da cama. Piorava de hora a hora.
No dia seguinte, domingo, concluí que não tinha o direito de a deixar sofrer mais. Logo telefonei ao veterinário, que prontamente se dispôs a praticar a eutanásia na minha querida gordinha.
Morreu nos meus braços e logo após a morte, vi a minha rabugenta finalmente serena. Como se estivesse a dormir, fofinha e a rir, assim se finou a Huíla.
Como toda a família, também foi enterrada onde foram os outros. Um local onde muitas vezes fazíamos passeios, onde era livre e feliz. Longe da confusão urbana.
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Sinto que onde ela está agora, continua a ser a chata que sempre foi, e que por ser tão especial, os amigos falecidos que por ela esperaram, bem como os restantes colegas anjos, tudo lhe toleram.
Após a sua morte, a Sandula, que era uma verdadeira atleta, nunca mais saiu do seu canto, sai apenas para as necessidades básicas. Por vezes dá pequenos gemidos de saudade.
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Obrigada Huila, por teres sido tão chata. A tua cama, está agora ocupado por alguém que também necessitava de ajuda e que já é um membro da família, mas o teu lugar está vazio. Sinto a falta do teu ladrar, sinto a falta dos teus uivos quando querias comer, sinto a falta da tua rabugice, sinto a falta do teu cheiro, das tuas lambidelas, em suma:
 Sinto falta de ti