Trouxeram-te até mim, eras ainda bebé. Tinhas sido tirada da boca de um cão. Estavas muito ferida e magoada. Foi a primeira vez que criei e tratei um pombo. Desculpa os erros que cometi contigo. Não te acarinhei como merecias, deixando-te sozinha numa caixa de cartão durante a tua infância. Talvez por isso te tornaste tão rabugenta, e eu não te compreendi. Adorava ver-te zangada e provocava-te a toda a hora. Desculpa afinal sou humana... e ainda estou a aprender a ser melhor, com seres como tu. Percebi que te tinhas tornado adulta, quando o teu piar de bebé deixou de se ouvir e começaste a arrulhar. Foi então que vi, que devias ser um rapaz e não uma menina, mas continuaste a ser a Cassiana a minha Cassiana. Passei a fazer grandes passeios contigo na esperança de te ver voar, e seres um pombo como tantos outros.
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08 setembro 2016
Para ti Cassiana
Trouxeram-te até mim, eras ainda bebé. Tinhas sido tirada da boca de um cão. Estavas muito ferida e magoada. Foi a primeira vez que criei e tratei um pombo. Desculpa os erros que cometi contigo. Não te acarinhei como merecias, deixando-te sozinha numa caixa de cartão durante a tua infância. Talvez por isso te tornaste tão rabugenta, e eu não te compreendi. Adorava ver-te zangada e provocava-te a toda a hora. Desculpa afinal sou humana... e ainda estou a aprender a ser melhor, com seres como tu. Percebi que te tinhas tornado adulta, quando o teu piar de bebé deixou de se ouvir e começaste a arrulhar. Foi então que vi, que devias ser um rapaz e não uma menina, mas continuaste a ser a Cassiana a minha Cassiana. Passei a fazer grandes passeios contigo na esperança de te ver voar, e seres um pombo como tantos outros.
23 abril 2016
Há sete anos, vítima de maus tratos chegou até mim. Teria 14 anos. Por ter sido tão maltratado, tinha medo que lhe tocássemos, ficando muito tenso e rígido. Desde que não estivesses a dormir, e embora cego e surdo, mostrava gratidão a todo o momento, arfando, abanado a cauda e enroscando-se nas nossas pernas.
Há algum tempo que se queixava, com dores. Ia ao veterinário e fazia tratamento paliativo. Nos últimos dois dias, as injecções que tomava deixaram de surtir efeito. Tive então que tomar a difícil decisão: eutanasiar o meu querido cão.
Ao contrario do habitual, esta manhã, embora com dores, o meu querido Fidel, pela primeira vez, desde que está comigo, mostrou-se receptivo e relaxado entregando-se completamente aos meus afagos e da Neuza Resende.
Como todos os outros, morreu serenamente nos meus braços. Descansa em paz meu querido amigo.
A vida do Fidel, contada na primeira pessoa em:
http://ossodecao.blogspot.pt/2010/12/fidel.html
30 janeiro 2016
Para ti querida pombinha.
09 dezembro 2015
Para ti querido amigo
O teu dono recorda-te assim: http://ossodecao.blogspot.pt/2016/01/uma-carta-para-o-meu-caozinho-que.html
Para ti Nick
Uma carta para o meu cãozinho que partiu

Olá Nick. Nunca aprendeste a ler. Para piorar, nasceste surdo. Mas de alguma forma, divina e misteriosa, tenho esperanças que hoje, dois dias depois de teres partido, recebas esta pequena mensagem.
Estavas muito doentinho. Sofrias e recuperavas, num pequeno ciclo indesejável: Por mais que sofresses, sempre voltavas a ficar energético e feliz. Até que chegou o dia em que não voltaste a ficar bem. Tivemos que te levar ao doutor e te deixar dormir. Foi a viagem de carro mais dolorosa que já fiz.
Adormeceste no meu braço, com a língua de fora como sempre ficavas.
Te beijei na cara e no focinho, e senti um cheiro que vinha dos teus pêlos igual ao cheiro que tinhas quando eras bebé e te vi pela primeira vez, há 14 anos atrás. Sei que soa estranho, e que talvez pareça que seja a minha mente a pregar partidas, mas é a realidade. Sentir esse cheiro vindo de ti me teleportou a quando estava no carro, contigo em cima de mim, no meu colo, a me olhar de uma forma estranha porque não me reconhecias. Do teu lado estava a tua irmã, Lenita, no colo do meu primo. Estava feliz porque estava levando comigo um novo amigo para me acompanhar.
Lembro-me do teu pai ter a tua cor, branco e com manchas, mas maior e gordinho. E a tua mãe, castanha, da cor da tua irmã, triste por estarmos a levar os filhos dela. Espero que os encontres agora, se existir um após-vida, e que eles nos tenham perdoado por termos levado os seus filhotes.
Quando chegamos, fomos à casa dos meus avós, e o meu avô ficou a olhar para ti e te chamou de feio. Tinhas os olhos muito grandes, e tortos, estrábico; e a tua cauda era igual à de um porquinho, enrolada como uma mola. Esses teus dois traços desapareceram com o tempo, os teus olhos mantiveram-se lindos e grandes, mas endireitaram-se, e a tua cauda ficou recta.
Se houve um dia mais especial que esse, foi o dia que te levamos ao veterinário pela primeira vez. Fomos fazer um check-up e saber mais sobre a pequena hérnia que tinhas no umbigo. E comprámos a tua primeira trela e a tua primeira coleira, as duas vermelhas porque a minha mãe se convenceu que eras do Benfica. E agora, sempre que alguém lhe perguntava qual o clube que ela apoiava, ela respondia:
“Eu e toda a família somos do Benfica, até o cão”.

Depressa aprendeste o significado da trela. Sempre que eu pegava nela, que ficava pendurada junto à despensa da cozinha, abanavas a cauda e ficavas com o pescoço junto da minha perna, já sabias que era para ir à rua ver os teus amigos. E durante os passeios que tinha contigo, sempre na mesma rua e sempre nos mesmos lugares, arranjavas prazer no Inverno, quando o vento vinha com força. Ficavas parado, só parado, no meio do nada, a sentir o vento a bater com força no teu pequeno focinho.
E fiz desse teu pequeno prazer uma brincadeira: adorava soprar para o teu focinho enquanto lambias o ar para apanhar o fresco.
Essa tua pequena hérnia no umbigo, apesar de engraçada no inicio, começou a crescer e a se tornar uma ameaça. Lembro-me um dia, que a minha mãe te levou para a escola onde ela trabalhava e eu estudava. Lembro-me que estava a ir para a aula e ouvi um ganir intenso, fui a correr procurar por ti, estavas na salinha dos funcionários, e tua hérnia estava cinza e inchada. Tivemos que te submeter a uma operação para a retirar.

A operação durou uma eternidade, mas correu bem. Quando chegaste tinhas a típica coleira que parece um prato, para não lamberes os pontos. Recuperaste rápido.
Passava horas a brincar contigo. Ladravas muito alto e me mordias com força, era uma pequena guerra inocente entre uma criança e um cão. Lembro-me que a regra do jogo era eu ficar quieto, na cama. Se me mexesse me atacavas. Eras assim, brincalhão. Eu e a minha prima Jessica fizemos vários vídeos a brincar contigo.
Mas melhor ainda que tu a latir feito doido para o vídeo, eram as poses que fazias para a camera fotográfica. Como eu desejava que falasses, mais uma vez eu e a minha prima fizemos um vídeo teu, desta vez contigo a ser entrevistado para um noticiário nacional.
Na rua, entre os meus amigos, eras temido porque mordias. Por seres surdo tinhas uma percepção desconfiada do mundo e, para ti, quase tudo era hostil. A minha mãe dizia que isso começou quando um dia, um menino estava a te acarinhar e de repente te deu um pontapé. Triste.
Era divertido fugir de ti e te ver a correr e a ladrar para me apanhar. Fazíamos mil e uma brincadeiras diferentes. Lembro-me uma vez de estar no pavilhão da escola, durante as férias porque a mãe trabalhava lá, tudo vazio. E de te empurrar pelo chão escorregadio. Escorregavas pelo fundo do corredor e voltavas a correr para mim para te empurrar e te fazer escorregar de novo. E depois me mordias, com carinho.

Gostavas de umas tiras fininhas que se comprava no mercadinho do Dia, e de uns rolinhos com uma parte mais escura dentro. Mas quando te dava o snack, ias embora com ele antes de o comer para garantir que ninguém to tirava. Eras sempre desconfiado, de outros cães e de humanos.
E aproveitando a tua desconfiança, eu e a minha mãe gostávamos de te provocar. Às vezes íamos atrás de ti e começávamos a te tocar na perna, ligeiramente, até ficares irritado. Não conseguias escapar, porque se te virasses para mim, a minha mãe te apertava, se te virasses para ela, eu te apertava. Ficavas muito irritado mas depois te abraçávamos e ficavas feliz porque sabias que era só provocação.
Na praia é que corrias imenso atrás de mim. Mas nunca percebi se gostavas de praia ou não. Sei que odiavas a água, sempre ficavas para trás quando a minha tia Tata atirava pedras e todos os cães iam para a água tentar apanhar. Só tu ficavas de fora, na beira, a olhar, sozinho, esperando que todos voltassem.


Enquanto aqui estiveste, viveste comigo, com a minha mãe, o meu pai, a minha tia, os meus avós e os teus amigos da mesma espécie. Enquanto aqui estiveste, muitos dos teus amigos partiram: o Chico, a Huila, a Sandula, a Mizé, a Marquinhas & o Malaquias, o Shissue, a Cassiana, e a tua irmã, Lenita.
O ciclo da vida é tramado. Tão tramado quanto a tua desobediência perante o jornal. Aprendeste a fazer xixi nele, mas tudo o resto fazias no chão. Mas mais engraçado que isso, é que tu aprendeste linguagem gestual. Não me lembro de como te ensinei, mas sabias que os meus dedos a fecharem era sinal para vires ter comigo, assim como o meu pé a bater no chão. E sabias que o dedo indicador a apontar para o ar era sinal que te portaste mal. E o dedo a apontar para ti era para ficares quieto. Quando era criança achava tão estranho gritar perto de ti e continuares a dormir como se nada fosse. Ainda hoje há quem na família ache que tu não eras surdo, mas apenas fingias não ouvir ninguém. Também é provável, porque somos todos chatos.
Seres surdo era engraçado, mas também muito preocupante. Estávamos sempre de olho em ti, com medo que te perdesses, porque era impossível chamar por ti. Na verdade, essa foi uma das últimas partidas que nos pregaste: estavas com a minha tia e sumiste. E lá estavas tu, debaixo da cadeira do café que ficava na rua de baixo. O que foste lá fazer?
Também lembro-me de te ensinar a subir e a descer as escadas quando eras pequenino. No meu prédio e no prédio da minha avó. Depressa aprendeste, e também aprendeste um gesto que significava que devias subir ou descer sozinho. Quando a minha mãe chegava e te ia buscar à casa dos meus avós, descias as escadas sozinho, e também subias quando era preciso. Para certas coisas eras super obediente, para outras desobediente. Tinhas manias.
Quando era pequenino e ainda dormia com os meus pais, tu entravas pelos lençóis e ficavas entre os nossos pés. Também gostavas de dormir nas almofadas. Odiavas que te segurasse para dormir comigo, mas não te importavas se me sentasse contigo no chão e te fizesse festas na barriga.
Quando sai de casa senti a tua falta. Nesse momento, tomaste uma posição ainda mais importante na vida da minha mãe. Tive a chance de capturar todo o ambiente que vocês os dois viviam em uma só fotografia: tu e a minha mãe juntos, sonolentos, luz fraca, terço pendurado, as fotografias emolduradas, as pantufas no chão… a típica noite, tranquila, de vocês os dois.



A viagem de carro entre a nossa loja e o veterinário foi, como disse, a pior viagem que já fiz. Mas ao contrário de mim, estavas sereno e calmo, no colo da tua dona, e eu do teu lado te admirava.


Todos estes detalhes que conheço de ti são algo que só se sabe de alguém com muita intimidade. É preciso construir uma relação com uma base sólida de amor para se chegar a conhecer alguém assim. Sinto a tua falta.
Queria que estivesses aqui para sempre. E de certa forma vais estar.
Obrigado por tudo. Foste muito importante e mágico. Tornaste a nossa vida melhor. Espero que tenhamos tornado a tua melhor também.
Do teu amigo que te ama,
Luís.
08 outubro 2013
Homenagem aos que partiram
Pretendo, nesta página, prestar homenagem à minha querida família de quatro patas, que: uns por motivo de doença, outros por velhice, outros por acidente, já não se encontram entre nós. Foram eles: o Saci que já faleceu há 20 anos com idade muito avançada, cerca de 19 anos. O Roni que foi propositadamente atropelado, por alguém que odeia cães. Tinha apenas 8 anos. O meu querido gato Chiquito por doença prolongada. A Mizé, a linda flor do meu jardim, com 5 aninhos apenas, também atropelada. A Huila com um tumor e finalmente o Shissue, com apenas 1 ano de idade e demasiado perfeito, caiu de do quarto andar.
Saci I
Roni
Chiquito
Mizé
Huila
Shissuê
Depois deles e pelos mesmo motivos – abandono - outros foram adoptados, mas o lugar deles permanece vazio.
Por eles:
Quero acreditar que neste momento, vivem numa dimensão diferente, onde prevalecem as leis de Deus e que têm uma vida plena, onde todos os seres vivos são respeitados e amados que vivem em paz, que são livres, correm, brincam e saltam.
Quero acreditar, que apenas os seus corpinhos morreram, mas o espírito, que acredito possuirem, esse viverá para sempre e que na dimensão onde se encontram, ansiosa e calmamente esperam por mim, para todos juntos vivermos finalmente livres, em paz e felizes. Sem a crueldade a que alguns deles foram submetidos, na sua curta existência no planeta terra
.
Quero acreditar que onde se encontram velam por mim e que as flores que crescem nas suas sepulturas, são uma mensagem dos meus queridos e queridas meninas, como a dizerem: nós esperamos por ti.
Aqui, onde ainda estou, vivem e viverão sempre no meu coração.
Referindo uma citação de uma grande amiga:
Quando nós morrermos, vamos para o céu que é infinito, mas eu logo saberei onde está a Paula: numa nuvem bem branquinha, mas cheia de pelo com todos os seus animais.
Tal como na terra, para além dos amigos e familiares, quero ter toda a minha família 4 patas sempre a meu lado.
****************************
«Se houver, como dizem que há, um Céu dos Cães,
é lá que quero ter assento,
a ver a luz a minguar no horizonte,
com a sua palidez de crepúsculo num retrato da infância.
Hei-de então bater à porta e pedir para entrar, e sei que eles virão,
contentes e leves, receber-me como se o tempo tivesse ficado
quieto nos relógios e houvesse apenas lugar para a ternura,
carícia lenta a afagar o pêlo molhado pela chuva.
Então poderemos voltar a falar de felicidade e de mim não me
importarei que digam:teve vida de cão, por amor aos cães. »
José Jorge Letria
Mais exemplos clique nos links:
Memorial Uriel In Memoriam
11 janeiro 2012
Marquinhas–exemplo de resignação e paciência na doença.
Apesar da idade avançada, 17 anos a Marquinhas, nunca teve problema de saúde. Apenas durante um período entre os 15 e 16 anos que vomitava com frequência. Mudei a ração e tudo passou.
Quando tudo parecia estar bem, ao escovar-lhe o pelo, notei um inchaço anormal, no dorso. Corri para o veterinário e aí foi-lhe diagnosticado um carcinoma.
Devido à idade avançada, optei pelo tratamento paliativo em vez de operação e assim minorar o sofrimento da Marquinhas pois não havia perspectivas de
cura.
Quanto mais o carcinoma crescia, mais a Marquinhas comia e mais peso perdia. Por causa do tratamento, tinha um apetite devorador. Oferecia-lhe então, todos os petiscos existentes no mercado, mas nos últimos dias de vida, o que mais a Marquinhas apreciava, era o patê de frango caseiro, com cenoura e arroz. Também não recusava salmão cozido.
Todas as semanas me deslocava ao veterinário com a minha Marquinhas, para tratamento. Tudo aceitava sem nunca reclamar.
Para não ser incomodada pelos seus companheiros, Cuilo e Shalom, permanecia muito tempo na grade, onde nunca lhe faltou o saco de água quente.
Nas ultimas semanas de vida, quando saia para fazer as sua necessidades no WC, muitas vezes não chegava a tempo, por se encontrar muito fraca e com pouca agilidade. Periodicamente tinha então que a incomodar e levá-la á caixa com areia sempre limpa, (especialmente para ela) onde então se aliviava. Quando terminava, com a sua voz meiga, dizia-me que já estava despachada.
Tudo aceitou, com paciência e resignação. Nunca se mostrou saturada. Por vezes até tinha a sensação que me dizia: não te preocupes, eu estou bem. Mas não estava bem!… Devia ter dores, embora não se queixasse. Nos últimos dias, começaram a aparecer mais feridas no seu magro corpinho e até na ponta do nariz.
Por fim a dura decisão: eutanasiar a minha menina e assim acabar com tanto sofrimento.
Assim ela se foi. Iria fazer 18 anitos em Fevereiro. Para mim, foi uma luz que deixou de brilhar neste planeta. É agora mais uma das muitas estrelas a brilhar no céu, juntamente com todos os meus animais que partiram antes dela. Acredito que são felizes e alegremente esperam por mim.
Numa nuvem bem macia, está agora com o seu amado irmão Chiquito e com todos os outros que partiram antes dela.
Expresso aqui, a minha gratidão, ao Dr. Rui Neves e Dra. Inês, pelo profissionalismo e carinho com que sempre trataram a minha menina.
14 dezembro 2011
Huila
Quando estava perante o petisco, esquecia tudo e todos. A sua atenção prendia-se apenas naquilo que poderia comer e ansiosamente desejava que lhe dessem algum pedaço. Só em momentos como este, ignorava a sua querida amiga Neusa.
A Neusa sempre foi a grande amiga da Huila. Sentia a sua presença, mesmo a grande distancia e chorava tanto por ela, como quando queria comer.
Obrigada Huila, por teres sido tão chata. A tua cama, está agora ocupado por alguém que também necessitava de ajuda e que já é um membro da família, mas o teu lugar está vazio. Sinto a falta do teu ladrar, sinto a falta dos teus uivos quando querias comer, sinto a falta da tua rabugice, sinto a falta do teu cheiro, das tuas lambidelas, em suma:


