17 maio 2016

Beijo de Judas


Chamaram a isto o "Beijo de Judas". Um touro, já na arena, despediu-se do seu tratador com um beijo, momentos antes da sua morte.


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23 abril 2016





Há sete anos, vítima de maus tratos chegou até mim. Teria 14 anos. Por ter sido tão maltratado, tinha medo que lhe tocássemos, ficando muito tenso e rígido. Desde que não estivesses a dormir, e embora cego e surdo, mostrava gratidão a todo o momento, arfando, abanado a cauda e enroscando-se nas nossas pernas.
Há algum tempo que se queixava, com dores. Ia ao veterinário e fazia tratamento paliativo. Nos últimos dois dias, as injecções que tomava deixaram de surtir efeito. Tive então que tomar a difícil decisão: eutanasiar o meu querido cão.
Ao contrario do habitual, esta manhã, embora com dores, o meu querido Fidel, pela primeira vez, desde que está comigo, mostrou-se receptivo e relaxado entregando-se completamente aos meus afagos e da Neuza Resende.
Como todos os outros, morreu serenamente nos meus braços. Descansa em paz meu querido amigo.
A vida do Fidel, contada na primeira pessoa em:
http://ossodecao.blogspot.pt/2010/12/fidel.html

27 março 2016

Incêndio na União Zoófila







Ontem alguém ateou fogo junto ao abrigo da União Zoófila, colocando em risco a vida de quase 800 cães e gatos já tão marcados pelo sofrimento.

Os telhados de várias boxes foram afectados.

O sistema eléctrico ardeu. Na Enfermaria, não é por enquanto possível usar o bloco de cirurgia. Foi preciso transferir a medicação e as vacinas que precisam de frio. As máquinas de lavar as mantas que aquecem os animais internados ficaram inutilizadas.

Só não perdemos amigos caninos porque os voluntários subiram imediatamente aos telhados e usaram as mangueiras do abrigo para impedir que as chamas se aproximassem demasiado deles e porque os Bombeiros Sapadores de Lisboa e os Bombeiros Voluntários Lisbonenses acorreram rapidamente.

Foi preciso tirar os cães da zona afectada. Mais uma vez, os voluntários fizeram-no calma e rapidamente, conduzindo-os ao exterior ou a zonas de recreio dentro do abrigo. Só por isso nenhum foi atingido, embora tantos tivessem ficado em pânico.

Precisamos de ajuda para recuperar os telhados de várias boxes queimadas e recuperar totalmente o sistema eléctrico. Sem electricidade, a Enfermaria dos cães não trabalha.

Se puderem, amigos, doem para que possamos rapidamente reparar os estragos. Precisamos de uma Enfermaria operacional para tratar os cães que estão doentes ou em convalescença. Precisamos de recuperar as boxes afectadas.

Transferência bancária para
IBAN PT50 0033 0000 0058 0204 2235 6
BIC/SWIFT BCOMPTPL

Peçam-nos recibo através do mail uniaozoofila@gmail.com

Muito obrigada por qualquer ajuda desde já.


19 fevereiro 2016

Novos estudos provam que estes três animais são uma mais-valia para a medicina humana

O rato, o pombo e o cão aparentam não ter nada em comum mas têm muito valor para a nossa saúde. Os resultados dos estudos são surpreendentes

A medicina continua a evoluir e vai encontrando pelo caminho novos aliados para combater doenças como a tuberculose, a epilepsia e o cancro. Todos os dias surgem milhares de novos casos destas patologias em todo o mundo. Em nada estão relacionadas, exceto que, se diagnosticadas a tempo e com o apoio necessário, podem ser controladas ou até mesmo curadas. Experiências levadas a cabo pela Universidade de Maputo, Califórnia e por organizações independentes mostram que os pombos, os ratos e os cães podem ser o futuro na ajuda aos humanos.

DE "RATOS DE LABORATÓRIO" PARA "RATOS HERÓIS"
As capacidades roedoras dos ratos são conhecidas de todos, não fosse este o animal que "roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia", a repetição de sons que aprendemos quando falamos de aliterações na escola. O rótulo de roedor estará sempre associado ao pequeno mamífero, assim como todas as doenças que se diz que transmite. Mas o rato não é um animal dispensável. As suas qualidades são uma mais-valia sobretudo na deteção de uma doença em particular: a tuberculose.

O ser humano possui entre 100 a 200 recetores olfativos, o rato tem 1000 tipos diferentes desses recetores, ou seja, não só tem bons dentes como também um bom nariz. Quem o descobriu foi a organização belga Apopo, criada por Bart Weetjens que deu uma nova relevância a este animal. Para eles, são “ratos heróis” que têm ajudado a salvar milhares de vidas em África. Com um laboratório na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, estão a ser treinados desde o primeiro mês de vida para cheirar amostras de muco humano e detetar o odor do TNT, bactéria causadora da tuberculose.

O processo é acessível e não precisa de equipamentos sofisticados (o que é ideal para países do terceiro mundo): o rato cheira centenas de amostras em 20 minutos (são 20 vezes mais rápidos que as pessoas) e quando descobre o odor que está programado para identificar esfrega as patas, o sinal que foi treinado para dar. O sucesso é tal que desde 2013, os “ratos heróis” foram responsáveis pela descoberta de 1182 casos de tuberculose em Moçambique, Tanzânia, Camboja, Vietname e Laos, países onde o projeto foi implementado.

COMBATE AO CANCRO DA MAMA TEM UM NOVO ALIADO
Espalhados pelas praças e ruas do nosso país, os pombos são vistos no geral como aves imundas e portadoras de doenças, mas também eles são negligenciados em relação às suas habilidades para ajudar na medicina humana, nomeadamente no combate à doença que mais mata no Mundo: o cancro, neste caso, o cancro mamário.

O professor Richard Levenson é o responsável por uma experiência científica da Universidade da Califórnia que chegou à conclusão de que os pombos são capazes de identificar tão bem como os humanos casos de cancro da mama através da análise de mamografias. Como? A explicação tem um fundamento comprovado cientificamente. O pombo é uma ave com uma memória fotográfica impressionante, daí ser capaz de identificar tecidos malignos (ou benignos) ao olhar para as imagens radiográficas.

Este teste levou duas semanas de treino e obteve resultados satisfatórios: “É uma tarefa complicada para os humanos, muitas das vezes. Esta experiência só indicou que os pombos podem ser ajudantes fiéis para compensar as nossas forças e também fraquezas na análise de imagens médicas”, explicou Levenson na publicação de medicina norte-americana PLos One, onde o estudo foi publicado. Mediante a apresentação das mamografias, as aves são incitadas a apontar para um botão amarelo ou um azul, o primeiro para o caso de haver alteração de tecidos mamários, o segundo que indica que não há sinais de tumores malignos.


UMA NOVA ESPERANÇA PARA QUEM SOFRE DE EPILEPSIA
Os cães já são utilizados como cães-guia e cães de terapia pelas suas capacidades em lidar com as dificuldades humanas de forma muito paciente. Agora, o treino de cães atingiu um outro patamar. Está comprovado a partir de observações práticas que os nossos amigos de quatro patas têm a habilidade de detetar quando uma pessoa epilética está prestes a ter uma convulsão. Ainda não há explicação científica sobre como é que o animal é capaz de se aperceber com antecedência que isso está prestes a acontecer, embora se acredite que está relacionado com algum tipo de indicador no olfato ou na audição. A verdade é que há casos em que o aviso foi dado pelo cão minutos ou mesmo horas antes de um episódio se verificar.



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30 janeiro 2016

Para ti querida pombinha.

Para ti querida amiga


Encontrei-te num saco de plástico pendurado à minha porta. Alguém te encontrou, teve pena de ti, mas não quis ficar contigo.
Talvez por seres tão estranha.
Parecias um urubu.Tinhas algumas penas no pescoço e outras quantas na cauda. Tinhas fome, fiz-te uma papa com restos de pão. Comeste desalmadamente. Fui então comprar algumas sementes, triturei-as transformando-as em pó para fazer uma papa. Comeste com um apetite devorador.

Dei-te um nome. Chamavas-te Huila

Passaram-se alguns dias, e começaram a nascer-te as penas, 
Aos poucos foste crescendo e ganhando mais penas. Transformaste-te então numa bela pomba, não te diferenciando da maioria dos pombos que habitam a zona.

Nunca te quis aprisionar, pois tinhas asas e tinhas que as usar. Como entravas em pânico sempre que me afastava de ti, usei este meio para te obrigar a voar. Ao afastar-me, esforçavas-te para vires rapidamente ao meu encontro, foi assim que percebeste que voando chegavas mais depressa. E então aprendeste a voar.

Quando passaste a alimentares-te sozinha e percebendo que não corrias perigo, procurei um lugar onde pudesses conviver com os da tua espécie.

Foi aí que que encontraste grandes amigos e talvez um companheiro/a para a vida. Como, todos os da tua espécie, deixaste a tua casa e tornaste-te independente, não deixando no entanto de visitares quem te criou, fosse para comer ou para dizer olá. Com satisfação percebi o quanto eras feliz. Muitas vezes chamava-te mas não querias entrar. Do alto e sempre acompanhada apenas dizias: olá. estou bem e feliz. Quando tinhas fome, entravas, algumas vezes sem eu dar conta. Enchias o papo e voltavas feliz para junto dos teus amigos e amigas.

Passaram-se os meses e a cena repetia-se diariamente. Quantas vezes estando eu fora, corria para casa, não fosses tu apareceres e eu não estar presente para te alimentar.

Até que um dia, estranhamente não usaste as asas para vires ter comigo. Encontrei-te em plena rua. Andando, vieste até mim e subiste para o meu pé. Peguei em ti e percebi que estavas doente. Como infelizmente tenho visto muitos casos como o teu, percebi que tinhas sido envenenada. Tal confirmou-se, pois mais tarde, vi os corpos inertes, de dois dos teus companheiros

Dei-te carvão vegetal na esperança de te salvar, mas o veneno foi forte e não consegui. Deixaste-me, em grande sofrimento. Foste entre muitas, mais uma vítima da crueldade humana. Durante horas, impotente, assisti incrédula à tua aflição: tinhas convulsões e contorcias-te com dores.

Perdoa, minha pequenina por não conseguir salvar-te, perdoa por não conseguir terminar com tão grande agonia.
Por fim partiste.

Tu não merecias, os teus amigos não mereciam. Recordar-te-ei sempre querida amiga.

Quisera minha pombinha, ver-te voar, ver-te feliz, sentir a tua presença no telhado da minha casa, sentir-te sem te ver chegar.

Acredito, que juntamente com os teus amigos habitas agora num lugar onde existe paz, harmonia, voas livremente, e és feliz.

Adeus querida amiga.


Sei que muitos humanos rir-se-ão deste texto. Afinal na opinião de muitos, fazes parte de um grupo de animais que é considerado uma grande praga. Esta crueldade é imoral e demonstra a grande ignorância e estupidez de um povo.

“A bem da saúde publica”, os telhados devem estar pejados de pombos mortos.  O “grande herói” que praticou este acto de crueldade, devia subir aos telhados e recolher os corpos destas pobres aves, para evitar a propagação de doenças, não causada pelos pombos, mas por quem cometeu tão hediondo crime.






09 dezembro 2015

Para ti querido amigo





Vou sentir a tua falta: quando me mordias, vou sentir a tua falta quando mordias quem se atrevesse a provocar-te ou simplesmente tocar-te, vou sentir a tua falta, quando não paravas de tossir, vou sentir a tua falta quando mijavas a marcar o território, pois tudo te pertencia, vou sentir a tua falta quando mordias o pobre Fidel, que por ser cego ia contra ti e tu não perdoavas, vou sentir a tua falta quando insistias em montar a pobre e velha Sandula aproveitando a sua fragilidade, vou sentir a tua falta quando carregava contigo ao colo, vou sentir a tua falta quando sentia o teu hálito horrível, EM FIM VOU SENTIR A FALTA DE UM DOS MELHORES AMIGOS QUE JÁ TIVE. Fica em paz rabugento e por favor, não chateis a Sandula a Mizé a Huila, o Shissue, a Marquinhas, o Chiquito, o Roni, a Aninhas, o Saci I, a Cassiana e o pobre do Nibiru. FICA EM PAZ MEU QUERIDO

O teu dono recorda-te assim: http://ossodecao.blogspot.pt/2016/01/uma-carta-para-o-meu-caozinho-que.html

Para ti Nick


Uma carta para o meu cãozinho que partiu


Olá Nick. Nunca aprendeste a ler. Para piorar, nasceste surdo. Mas de alguma forma, divina e misteriosa, tenho esperanças que hoje, dois dias depois de teres partido, recebas esta pequena mensagem.
Estavas muito doentinho. Sofrias e recuperavas, num pequeno ciclo indesejável: Por mais que sofresses, sempre voltavas a ficar energético e feliz. Até que chegou o dia em que não voltaste a ficar bem. Tivemos que te levar ao doutor e te deixar dormir. Foi a viagem de carro mais dolorosa que já fiz.
Adormeceste no meu braço, com a língua de fora como sempre ficavas.
Te beijei na cara e no focinho, e senti um cheiro que vinha dos teus pêlos igual ao cheiro que tinhas quando eras bebé e te vi pela primeira vez, há 14 anos atrás. Sei que soa estranho, e que talvez pareça que seja a minha mente a pregar partidas, mas é a realidade. Sentir esse cheiro vindo de ti me teleportou a quando estava no carro, contigo em cima de mim, no meu colo, a me olhar de uma forma estranha porque não me reconhecias. Do teu lado estava a tua irmã, Lenita, no colo do meu primo. Estava feliz porque estava levando comigo um novo amigo para me acompanhar.
Lembro-me do teu pai ter a tua cor, branco e com manchas, mas maior e gordinho. E a tua mãe, castanha, da cor da tua irmã, triste por estarmos a levar os filhos dela. Espero que os encontres agora, se existir um após-vida, e que eles nos tenham perdoado por termos levado os seus filhotes.
Quando chegamos, fomos à casa dos meus avós, e o meu avô ficou a olhar para ti e te chamou de feio. Tinhas os olhos muito grandes, e tortos, estrábico; e a tua cauda era igual à de um porquinho, enrolada como uma mola. Esses teus dois traços desapareceram com o tempo, os teus olhos mantiveram-se lindos e grandes, mas endireitaram-se, e a tua cauda ficou recta.
Se houve um dia mais especial que esse, foi o dia que te levamos ao veterinário pela primeira vez. Fomos fazer um check-up e saber mais sobre a pequena hérnia que tinhas no umbigo. E comprámos a tua primeira trela e a tua primeira coleira, as duas vermelhas porque a minha mãe se convenceu que eras do Benfica. E agora, sempre que alguém lhe perguntava qual o clube que ela apoiava, ela respondia:
“Eu e toda a família somos do Benfica, até o cão”.



Depressa aprendeste o significado da trela. Sempre que eu pegava nela, que ficava pendurada junto à despensa da cozinha, abanavas a cauda e ficavas com o pescoço junto da minha perna, já sabias que era para ir à rua ver os teus amigos. E durante os passeios que tinha contigo, sempre na mesma rua e sempre nos mesmos lugares, arranjavas prazer no Inverno, quando o vento vinha com força. Ficavas parado, só parado, no meio do nada, a sentir o vento a bater com força no teu pequeno focinho.


E fiz desse teu pequeno prazer uma brincadeira: adorava soprar para o teu focinho enquanto lambias o ar para apanhar o fresco.
Essa tua pequena hérnia no umbigo, apesar de engraçada no inicio, começou a crescer e a se tornar uma ameaça. Lembro-me um dia, que a minha mãe te levou para a escola onde ela trabalhava e eu estudava. Lembro-me que estava a ir para a aula e ouvi um ganir intenso, fui a correr procurar por ti, estavas na salinha dos funcionários, e tua hérnia estava cinza e inchada. Tivemos que te submeter a uma operação para a retirar.


A operação durou uma eternidade, mas correu bem. Quando chegaste tinhas a típica coleira que parece um prato, para não lamberes os pontos. Recuperaste rápido.
Passava horas a brincar contigo. Ladravas muito alto e me mordias com força, era uma pequena guerra inocente entre uma criança e um cão. Lembro-me que a regra do jogo era eu ficar quieto, na cama. Se me mexesse me atacavas. Eras assim, brincalhão. Eu e a minha prima Jessica fizemos vários vídeos a brincar contigo.




Mas melhor ainda que tu a latir feito doido para o vídeo, eram as poses que fazias para a camera fotográfica. Como eu desejava que falasses, mais uma vez eu e a minha prima fizemos um vídeo teu, desta vez contigo a ser entrevistado para um noticiário nacional.




Na rua, entre os meus amigos, eras temido porque mordias. Por seres surdo tinhas uma percepção desconfiada do mundo e, para ti, quase tudo era hostil. A minha mãe dizia que isso começou quando um dia, um menino estava a te acarinhar e de repente te deu um pontapé. Triste.
Era divertido fugir de ti e te ver a correr e a ladrar para me apanhar. Fazíamos mil e uma brincadeiras diferentes. Lembro-me uma vez de estar no pavilhão da escola, durante as férias porque a mãe trabalhava lá, tudo vazio. E de te empurrar pelo chão escorregadio. Escorregavas pelo fundo do corredor e voltavas a correr para mim para te empurrar e te fazer escorregar de novo. E depois me mordias, com carinho.


Escondido debaixo das cadeiras da cozinha, o teu lugar favorito enquanto a minha mãe cozinhava para ti.

Apesar de tantas brincadeiras, nunca gostaste de brinquedos. Comprei-te umas bolas pequeninas, e fugias delas. Comprei-te uma galinha de plástico que fazia um som quando era apertada, e odiaste. Brinquedos eram inúteis para ti, mas snacks & guloseimas já não.
Gostavas de umas tiras fininhas que se comprava no mercadinho do Dia, e de uns rolinhos com uma parte mais escura dentro. Mas quando te dava o snack, ias embora com ele antes de o comer para garantir que ninguém to tirava. Eras sempre desconfiado, de outros cães e de humanos.
E aproveitando a tua desconfiança, eu e a minha mãe gostávamos de te provocar. Às vezes íamos atrás de ti e começávamos a te tocar na perna, ligeiramente, até ficares irritado. Não conseguias escapar, porque se te virasses para mim, a minha mãe te apertava, se te virasses para ela, eu te apertava. Ficavas muito irritado mas depois te abraçávamos e ficavas feliz porque sabias que era só provocação.
Na praia é que corrias imenso atrás de mim. Mas nunca percebi se gostavas de praia ou não. Sei que odiavas a água, sempre ficavas para trás quando a minha tia Tata atirava pedras e todos os cães iam para a água tentar apanhar. Só tu ficavas de fora, na beira, a olhar, sozinho, esperando que todos voltassem.
Só tu ficavas de fora, na beira, a olhar, sozinho, esperando que todos voltassem.


Tu, a levar com o vento na cara como sempre, eu, a Sandula, a Mizé e a Huila.

Enquanto aqui estiveste, viveste comigo, com a minha mãe, o meu pai, a minha tia, os meus avós e os teus amigos da mesma espécie. Enquanto aqui estiveste, muitos dos teus amigos partiram: o Chico, a Huila, a Sandula, a Mizé, a Marquinhas & o Malaquias, o Shissue, a Cassiana, e a tua irmã, Lenita.
O ciclo da vida é tramado. Tão tramado quanto a tua desobediência perante o jornal. Aprendeste a fazer xixi nele, mas tudo o resto fazias no chão. Mas mais engraçado que isso, é que tu aprendeste linguagem gestual. Não me lembro de como te ensinei, mas sabias que os meus dedos a fecharem era sinal para vires ter comigo, assim como o meu pé a bater no chão. E sabias que o dedo indicador a apontar para o ar era sinal que te portaste mal. E o dedo a apontar para ti era para ficares quieto. Quando era criança achava tão estranho gritar perto de ti e continuares a dormir como se nada fosse. Ainda hoje há quem na família ache que tu não eras surdo, mas apenas fingias não ouvir ninguém. Também é provável, porque somos todos chatos.
Seres surdo era engraçado, mas também muito preocupante. Estávamos sempre de olho em ti, com medo que te perdesses, porque era impossível chamar por ti. Na verdade, essa foi uma das últimas partidas que nos pregaste: estavas com a minha tia e sumiste. E lá estavas tu, debaixo da cadeira do café que ficava na rua de baixo. O que foste lá fazer?
Também lembro-me de te ensinar a subir e a descer as escadas quando eras pequenino. No meu prédio e no prédio da minha avó. Depressa aprendeste, e também aprendeste um gesto que significava que devias subir ou descer sozinho. Quando a minha mãe chegava e te ia buscar à casa dos meus avós, descias as escadas sozinho, e também subias quando era preciso. Para certas coisas eras super obediente, para outras desobediente. Tinhas manias.
Quando era pequenino e ainda dormia com os meus pais, tu entravas pelos lençóis e ficavas entre os nossos pés. Também gostavas de dormir nas almofadas. Odiavas que te segurasse para dormir comigo, mas não te importavas se me sentasse contigo no chão e te fizesse festas na barriga.
Quando sai de casa senti a tua falta. Nesse momento, tomaste uma posição ainda mais importante na vida da minha mãe. Tive a chance de capturar todo o ambiente que vocês os dois viviam em uma só fotografia: tu e a minha mãe juntos, sonolentos, luz fraca, terço pendurado, as fotografias emolduradas, as pantufas no chão… a típica noite, tranquila, de vocês os dois.

a típica noite, tranquila, de vocês os dois.

Foste piorando aos poucos, muito devagarinho, e de repente a doença se apoderou exponencialmente de ti. Este eras tu há exatamente dois meses, no dia 7 de Setembro.

Este eras tu, duas semanas atrás. Doentinho, depois de te termos levado ao veterinário para tomares umas injeções (desculpa).

E este eras tu no dia que te foste embora. A última fotografia que existe de ti.

A viagem de carro entre a nossa loja e o veterinário foi, como disse, a pior viagem que já fiz. Mas ao contrário de mim, estavas sereno e calmo, no colo da tua dona, e eu do teu lado te admirava.



Todos estes detalhes que conheço de ti são algo que só se sabe de alguém com muita intimidade. É preciso construir uma relação com uma base sólida de amor para se chegar a conhecer alguém assim. Sinto a tua falta.

Queria que estivesses aqui para sempre. E de certa forma vais estar.
Obrigado por tudo. Foste muito importante e mágico. Tornaste a nossa vida melhor. Espero que tenhamos tornado a tua melhor também.
Do teu amigo que te ama,
Luís.



07 junho 2015

Pedido de ajuda

Tomei ontem conhecimento do sofrimento de uma cadela que vive em Sortelha - Sabugal. Vivo no Seixal - Setúbal, e pouco posso fazer a não ser utilizando a Internet e divulgar a situação de horror em que se encontra a referida cadela. Falando ontem  com um senhor, que ocasionalmente encontrava quando ia passear os meus cães, e perguntando pela cadela que sempre o acompanhava eis que o mesmo me descreveu uma cena cruel e macabra: A cadela que sempre o acompanhava desapareceu. Não sabe se foi roubada ou se envenenada e tenha morrido. Querendo compensar esta perda, dirigiu-se ao canil do Sabugal onde adoptou uma cadela de 4 meses que se mostrou muito arisca mas que mesmo assim, ele fez questão de a adoptar. Explicou-me que o funcionário do canil, usou um laço de contenção para apanhar o animal e o mesmo foi metido na carrinha onde o dito funcionário lhe pôs uma coleira de cabedal. Até aqui tudo bem.
Ao chegar a casa o senhor que é idoso, e agora dono, mas com pouca pratica para estes casos, prendeu a cadela, mas nunca conseguiu relacionar-se com a mesma, nem através de guloseimas, pois esta esquivava-se.... Ao fim de três dias sem ele perceber a cadela fugiu. TINHA  4 MESES DE IDADE COM UMA COLEIRA DE CABEDAL AO PESCOÇO. Informou-me que todos os dias a cadela se aproxima para comer é alimentada, mas não consegue aproximar-se dela. A cadela tem agora 9 MESES E ESTÁ COM UMA COLEIRA DE CABEDAL AO PESCOÇO E A SANGRAR. Já contactou a GNR local mas nada fizeram até agora. Percebi que está deveras preocupado e impotente perante o que se está a passar. Não podendo ficar indiferente a esta situação, peço a todos que partilhem o mais possível esta cena macabra para que seja resolvida o mais rápido possível. Informo que o senhor, dono da cadela mora em Sortelha conselho de Sabugal, vai embora amanhã e prometi encontrar uma solução. Já lhe forneci o contacto SEPNA . Desde já agradeço qualquer ajuda que me possam prestar. POR FAVOR PARTILHEM O MAIS POSSÍVEL .Obrigada. 

18 abril 2015

ADOÇÃO RESPONSÁVEL

R E S O L V I D O

A Beny necessita urgentemente de um dono 5 estrelas. Importante relembrar que é uma cadela jovem que necessita de muita atenção. Se sente que pode responsabilizar-se por esta menina contacte através deste blogue. Obrigada